Cartório de Fortaleza tem como diferencial a comunicação inclusiva por meio de Libras

A comunicação inclusiva por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) já é realidade no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Fortaleza, no bairro Dionísio Torres. Embora o serviço ainda seja pouco conhecido por esse público, cerca de 1,7 milhão de pessoas no Ceará possuem alguma dificuldade para ouvir, segundo uma pesquisa inédita sobre Libras divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, mais de 150 mil pessoas revelaram saber usar essa comunicação, representando 9,2% deste grupo populacional, enquanto 61,3% ou 43 mil pessoas que não ouvem nada afirmaram saber se comunicar por meio de Libras.

Jade Pável

Para Jade Pável, 23 anos, moradora no Conjunto Ceará, a vontade de conseguir se comunicar com os amigos com deficiência auditiva na igreja que frequenta possibilitou, também, contribuir com o atendimento mais humanizado para outras pessoas nessa mesma condição que chegavam ao cartório. Formada há três meses no curso de Libras, que tem duração de um ano e meio, vem colocando sua nova habilidade em prática sempre que chega um cliente no cartório que necessita de uma atenção especial. E um desses clientes que chegou lá, foi seu professor de libras. Ela contou que faz tudo para que a pessoa se sinta acolhida, auxiliando em todo o processo e com aquele sorriso no rosto.

O IBGE também fez outra amostragem na nova Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de conhecimento público desde o ano passado. O resultado apontou que pelo menos 17,3 milhões de pessoas têm alguma deficiência no país, o que representa um contingente de 8,4% da população. No Ceará, estão 10,6% da população, índice maior que o nacional. Pelo fato de a expectativa de vida ser maior, há mais mulheres do que homens com deficiência no país. De acordo com a diretoria de Comunicação e Marketing da Associação dos Notários e Registradores do Ceará (Anoreg-CE), Priscila Aragão, “os cartórios cearenses têm avançado nas ações sociais, em especial de acessibilidade e comunicação inclusiva, como é o caso do 1º Ofício de Registro de Imóveis de Fortaleza.”

Segunda vice-presidente Anoreg/CE, Larissa Louredo

A segunda vice-presidente Anoreg/CE, Larissa Louredo, afirma que “garantir o acesso universal aos portadores de deficiência auditiva e surdez é ação fundamental a ser realizada em todos os seguimentos da sociedade, com o fim de fazer cumprir as garantias fundamentais dispostas na nossa Constituição Federal.” Segundo ela “a comunicação inclusiva deve ser realizada dentro dos cartórios de forma rápida, prática e tecnológica, tendo como objetivo atingir o maior número de pessoas em um curto espaço de tempo.”

A Anoreg/CE firmou um convênio com a empresa Helpvox, especialista em inclusão de pessoas com surdez e deficiência auditiva em todos os campos da sociedade, onde os associados possuem assistência de tradutores de libras diariamente, como forma de facilitar a interlocução do tabelião e/ou registrador com o usuário surdo/deficiente auditivo.

A parceria, firma da em 2021, oferece uma plataforma online onde é possível se conectar, por vídeo conferência, com tradutores de libras que de forma instantânea e simples promovem a interlocução do delegatário com o usuário surdo ou deficiente auditivo.

Larissa Louredo afirma que “esse convênio abrange todos os cartórios do Estado do Ceará que podem utilizar a plataforma sempre que necessitar. Essa é uma forma de inserir cada vez mais os surdos ou deficientes auditivos em nossa sociedade e, principalmente, facilitar essa interlocução entre usuários e cartorários.”

Assessoria de Comunicação Anoreg/BR, com informações da Anoreg/CE