Bem Paraná – Paraná registra o abril com mais mortes e menos nascimentos da história

O último mês, que se encerrou na sexta-feira, foi o abril com mais mortes e menos nascimentos na história do Paraná. É o que apontam dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil e das Estatísticas do Registro Civil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pelo Bem Paraná. 

Ao longo do quarto mês deste ano, os cartórios paranaenses anotaram um total de 11.281 nascimentos e 9.575 mortes – números que ainda podem variar um pouco, tendo em vista que os cartórios possuem alguns dias de prazo para informar os registros à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional). É como se, para cada dez falecimentos, 12 pessoas nascessem, praticamente.

Em abril de 2020, no entanto, o Paraná havia acompanhado o início de 13.423 vidas, ao passo que outras 5.902 chegaram ao fim. Naquele mês, então, foram registrados, em média, 23 nascimentos para cada 10 óbitos.

Dessa forma, comparando-se as estatísticas de abril de 2020 com abril de 2021, verificamos que nesse ano houve uma queda de 15,89% no número de nascimentos, ao passo que o de óbitos saltou 62,29%.

Considerando ainda a série histórica iniciada em 2003, até então o abril com mais mortes havia sido o de 2016, com 6.263 registros (número 52,88% inferior ao do último mês deste ano). O abril com menos nascimentos, por outro lado, havia sido o de 2007, com 12.342, valor 8,6% superior ao de 2021.

Mortes e Nascimentos em Abril
Ano Nascimentos Mortes
2021 11.281 9.575
2020 13.423 5.902
2019 14.201 5.872
2018 14.826 5.954
2017 13.323 5.538
2016 14.026 6.263
2015 14.705 5.772
2014 13.794 5.405
2013 14.064 5.398
2012 12.647 5.295
2011 12.898 5.091
2010 12.762 5.127
2009 12.747 4.821
2008 13.224 4.891
2007 12.342 4.808
2006 13.474 4.698
2005 13.706 4.494
2004 13.032 4.556
2003 13.680 4.596

 

Linhas da vida e da morte perto de se cruzarem 

Como se pode verificar no gráfico abaixo, as linhas que separam a vida e a morte no Paraná nunca estiveram tão próximas de se tocarem. Na prática, isso significa que a diferença entre o número de nascimentos e o número de óbitos no estado nunca esteve tão pequena.

Entre 2003 e fevereiro de 2020, antes da pandemia do novo coronavírus assolar o Paraná, foi registrado o nascimento de 2.651.779 paranaenses e a morte de outros 1.147.944. Isso dá uma média de 2,31 nascimentos para cada óbito.

Já durante a crise sanitária, 170.343 vidas começaram e 103.549 chegaram ao fim. Para cada falecimento, então, houve 1,65 nascimento, em média, o que significa que a proporção de nascimentos por óbito caiu 28,8% na pandemia.

Nos meses de março e abril, contudo, essa diferença ficou ainda menor, com taxas de 1,11 e 1,18, respectivamente, as menores de toda a série histórica. Nesses dois meses, o Brasil como um todo foi duramente castigado pela Covid-19. Só no Paraná, por exemplo, foram 9.893 óbitos causados pela doença nesse período, o equivalente a 45,6% do total de mortes nos dois meses analisados. Ao longo de todo o primeiro ano da pandemia, entre março de 2020 e fevereiro de 2021, 15.487 pessoas haviam falecido após contraírem o novo coronavírus.

 

Mortes por Covid caem na comparação com março 

Na comparação com março, o total de mortes causadas pela Covid-19 teve queda no último mês no Paraná. Foram 3.814 vidas ceifadas pela doença pandêmica em abril, ao passo que no mês anterior a Covid-19 matou 6.079 paranaenses – uma diferença de 37,3% entre um e outro mês, portanto.

Com a redução nos óbitos causados pelo novo coronavírus, o total de falecimentos também teve uma queda importante, de 21%, passando de 12.127 registros em março para 9.575 em abril. Isso significa, ainda, que a Covid-19 foi responsável por 50,13% das mortes no terceiro mês do ano e por 39,83% dos falecimentos no Paraná ao longo do mês seguinte.

Proporção de idosos vítimas da Covid despenca 

A vacinação de idosos contra a Covid-19 já mostra resultados promissores no Paraná. Conforme dados do Portal da Transparência do Registro Civil, compilados pelo Bem Paraná, nos últimos dois meses os falecimentos causados pelo novo coronavírus entre a população mais velha registraram uma queda expressiva, atingindo principalmente as faixas etárias acima dos 80 anos, que tiveram oportunidade de serem vacinadas mais cedo e, portanto, já estão mais protegidas contra a doença pandêmica.

Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, por exemplo, a população com 70 anos ou mais representava 53,41% das vítimas do novo coronavírus. Em março, o porcentual já havia caído para 42,15% e em abril fechou em 36,18%.

As reduções mais expressivas, como já citado, se concentram nas faixas etárias acima de 80 anos. Entre aquelas com 80 a 89 anos, por exemplo, a proporção de vítimas em relação ao total passou de 20,31% no primeiro ano da pandemia para 10,76% em abril. Entre as pessoas com 90 a 99 anos, passou de 5,99% do total de mortes para 1,70. E entre a população com 100 anos ou mais, de 0,23% para 0,08%.

Fonte: Bem Paraná